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| Redução de jornada: mitos e verdades - Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria |
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A Proposta de Emenda Constitucional n° 231 sobre a redução da jornada legal e trabalho promete acalorada discussão no Congresso Nacional. O tema tem rande apelo eleitoral. Muitos parlamentares veem na proposta um discurso ácil para angariar votos. Vendem aos eleitores a ideia de que a redução da ornada provocará a abertura automática de novos postos de trabalho, astando estabelecer na Constituição o limite de 40 horas por semana e um alor de hora extra que seja 75% acima da hora normal, mantendo-se o mesmo salário.
Temos de ser realistas e, sobretudo, honestos com os trabalhadores. Há empresas que já trabalham 40 horas por semana, com bom desempenho tanto no mercado interno quanto no externo. Chegaram a isso pela via da negociação coletiva, ajustada caso a caso, da produtividade e não por medida constitucional a ser aplicada de norte a sul, a todas as empresas e nos mais variados setores de atividade. Esse é o caminho trilhado pela maioria dos países. Na União Europeia, por exemplo, a jornada legal máxima é de 48 horas por semana, mas, empregados e empregadores negociaram e praticam jornadas muito menores. Na negociação coletiva as partes levam em conta as peculiaridades das empresas, dos setores e da conjuntura, o que viabiliza acordos realistas. A imposição forçada de uma jornada por medida constitucional ignora a heterogeneidade do mercado e impõe, de cima para baixo, uma exigência que, na maioria dos casos, será anulada por medidas compensatórias. A PEC nº 231 provocará aumento direto de 10% da hora trabalhada e 50% da hora extra. Além disso, demandará despesas expressivas para recrutar e treinar novos empregados. Nas indústrias que trabalham em regime de revezamento (24 horas por dia), o aumento do quadro exigirá a contratação de novos turnos cujos gastos vão muito além das despesas mencionadas. Em muitos casos, as empresas terão de ampliar seus equipamentos e instalações nem sempre há máquinas e espaço físico para todos , assim como prover aos Quando se levam em conta todas as despesas das novas contratações, há empresas que terão aumentos de custo de produção acima de 5%, 6% ou 7% e até mais o que é um verdadeiro atestado de óbito para quem tem de competir com a China, tigres asiáticos e concorrentes do Leste Europeu. |



